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Caló pascoal Biografia

 
Anselmo Ralph
Raiva a.k.a
Nilton G
IRMÃOS VERDADES
CMC
Bob Da Rage Sense
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Kussondulola
Rui Mingas
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Duo Ouro Negro
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Filipe Zau
Denéxl
Gutto
Sebem
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Ângelo Boss
Megga Fofo
Don Kikas
Dr Nando
Dalton Borralho
Guy Destino
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Kalibrados
O2
Diamondog
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Caló Pascoal
Yuri da Cunha
Dircy Sil
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Dog Murras
Bangão
Os Lambas
Yannick (AfroMan)
Marita Vénus
Paulo Flores
As Gingas do Maculusso
Big Nelo
Patrícia Faria
Matias Damásio
Yola Araújo
     
 
Por trás da estatura franzina e do sorriso simpático, esconde-se um grande talento da música angolana.
Nunca conheceu o pai. Deste, só herdou o nome: Salvador Manuel Pascoal. Vem daí a alcunha de Calogi (nome dado aos filhos que não conhecem o pai), e o diminutivo “Caló”, como passou a ser chamado.
”O meu pai foi atingido por uma bala dispersa em casa e nunca mais se sentiu bem. Morreu 13 dias depois de eu ter nascido. Já tinha perdido a visão e estava em coma”.
Terceiro de quatro irmãos, cedo descobriu as dificuldades da vida e passou a associá-las ao facto de ser órfão. Sentia pena da mãe, que trabalhava como empregada de limpeza na Junta de Habitação. O salário era exíguo, mas com a ajuda da Igreja Católica, e do falecido irmão mais velho do músico, foi possível comerem, vestirem e estudarem.
”Sempre fomos acólitos dedicados; por isso tínhamos a ajuda da igreja, mas éramos zombados pelos vizinhos; diziam que precisávamos da igreja para comer. Era muita falta de respeito, mas Deus é tão grande que todas as pessoas que na altura tinham pais ricos, hoje sabem que a vida dá voltas”.
Orgulhoso por ter dado a volta por cima, Caló Pascoal gasta boa parte do que aufere com a mãe. “Se tiver que passar fome há de ser porque eu não consegui dar-lhe um pão, mas não pode mais trabalhar”.
Hoje pode vestir as roupas mais caras, mas não o faz porque não sabe como será o futuro. “Amanhã poderei não ter, por isso não esbanjo nem insulto os que não têm”.
Aos 14 anos começa a desejar ter coisas da moda, como os amigos e, como a mãe não tinha condições para tal, decidiu trabalhar. “Eu não tinha como comprar roupa, livros ou apanhar táxi. Então deixei de estudar porque o meu irmão que morreu é que nos empurrava para a escola”.
Não conseguiu emprego e decidiu tornar-se dançarino de estilos como bungula, vaiola, kizomba, kabetula e break. Ganhou vários concursos de kizomba no Centro Recreativo Maxinde, no Marçal. Participou no Fenacult em 1989, como bailarino do professor Sacaneno João de Deus e formou com os amigos o grupo “Heróis do Fenacult”.
Não obteve grandes lucros com a dança e desistiu, para ser disc jockey. Ganhou algum dinheiro nessa actividade mas não fez nada de jeito com o que amealhou. Nessa altura forma, com o irmão mais velho e um amigo, o grupo de kuduristas Necafi Brothers. Depois de fazerem o sucesso “Feijão Duro”, deixa a actividade de disc jockey.
“Eu tinha 15 anos e muitos sonhos; queria ajudar a minha mãe, mas quando dei por mim já não ia à igreja, fumava liamba e tabaco, bebia muito e tinha muitas namoradas. Graças a Deus não me tornei bandido ”.
A vida boémia teve fim aos 21 anos, quando teve uma infecção pulmonar.
Em 1998, à beira da morte, rezou, pediu a Deus uma segunda oportunidade para viver e prometeu andar no bom caminho.
Em seguida é levado por uma prima à célula de orações no bairro Neves Bendinha, onde os crentes da Paróquia de Fátima se reuniam para rezar. Mal conseguia andar e algumas pessoas diziam que era portador do vírus HIV. Um mês depois já se sentia melhor e aconselhado pela presidente da célula, mamã Fely, deixou de cantar kuduru. ”Ela dizia-me sempre que eu só teria sucesso se pedisse perdão, agradecesse a Deus e cantasse músicas para Ele. Acabei por acatar os seus conselhos”.
É assim que vai ao monte (morro dos veados), fazer um sacrifício: jejum durante três dias, juntamente com outros cristãos. Tomavam apenas um copo de leite e comiam pão às 18 horas de cada dia. Foi durante o jejum que escreveu a letra “Tá amarrado”, onde pede perdão a Deus pela vida que levava.
Quando chegou a casa, fez o instrumental e tocou a música. Não tinha ainda o CD quando viu a música fazer sucesso, em 2002. Hoje acredita que o êxito levou-o para o bom caminho. “Não esperava tanto sucesso, mas Deus é grande e ajudou-me”.

Músico por herança

Caló é filho de um casal que se dedicava ao canto. A mãe foi corista na Igreja Católica, o pai tocava instrumentos de percussão e chegou a gravar 2 singles, pouco divulgados, porque quando foi buscar os discos, o pai de Caló já estava doente. “Teve uma crise no caminho e não conseguiu chegar a casa”.
Caló aprendeu a tocar percussão em casa com os irmãos. Usavam pratos e talheres de alumínio e apesar do barulho, a mãe não se chateava com eles. Nessa altura o músico sonhava em ter um gravador para ouvir música. “Eu tinha que ir a casa de um senhor, na Avenida Brasil. Passava o dia em direcção à janela dele, só para ouvir rádio”.
Aprendeu a tocar órgão com um vizinho mais velho, que tinha o instrumento em casa. Pedia-lhe o instrumento emprestado e em troca, este aproveitava para mandar-lhe quantas vezes quisesse. “É um grande amigo até hoje”.
Depois do sucesso de “Ta Amarrado”, com o patrocínio do amigo Celso Bezerra vai para África do Sul gravar o disco. “Foi a primeira vez que saí de Angola, senti-me lisonjeado”.
Tal era a fé, que Caló passou a ter revelações. “Sonhava com Deus a dizer-me: as tuas portas se abriram, vais vender bem os teus discos e ganhar dinheiro, mas tens que honrar com os dízimos”, diz. Até hoje subtrai a décima parte de todo o dinheiro que ganha e distribui por várias igrejas. “Por isso é que Deus me ajuda. Costumo dizer que essa vida já não é minha, é um kilapi que Ele me fez. Se eu me comportar mal ele tira-me”, diz sorridente.

A Titiriti

Um dos sucessos do músico denomina-se “Titiriti”. Escreveu-o quando perdeu uma namorada por causa de um telemóvel. “Digo isso porque a relação começou a morrer quando ela recebeu de um amigo um telemóvel de presente”.
Quando a procurasse encontrava-a ao telefone. Caló, que não tinha telefone, tinha de pagar um vizinho ligar para ela e tinha vergonha de ligar para um telefone dado por outro “As coisas corriam mal. Então fiz essa letra, mas guardei. Só concluí a letra quando ela veio ter comigo e quis que as coisas voltassem a ser como antes”.
Hoje recebe convites para cantar em Londres, Paris, Portugal e África do Sul. “Sou fã dos meus dedos. Nunca foram a uma escola de música mas fazem coisas bonitas”, diz acrescendo que ambiciona ter um filho e concluir os estudos.


Uma grande prova de amor


Quando namorava com Gabriela (sua esposa), Caló dormia num quarto com o tecto furado. Fazia tudo para ela não dormir lá, sobretudo nos dias de chuva, em que o quarto inundava e o colchão ficava a flutuar. “No início ela ia mas depois começou a perguntar porquê que eu me comportava assim nos dias de chuva”.
Um dia deixou-se levar pelo sono e não conseguiu levar a moça para casa. Nesse dia choveu. Quando acordou a namorada já tinha arrumado tudo e colocado o piano e a roupa em cima de cadeiras. “Eu estava a dormir numa cadeira, posto por ela, sem que me desse conta”.
Envergonhado, Caló confessou que não quis que ela visse em que condições vivia. “Mas ela conversou comigo e disse-me que era normal. Foi a maior prova de amor que já recebi. Hoje temos uma casa bonita, ela merece”.
Também não esquece o dia em que a mãe percebeu que estava tuberculoso.
“Chorou muito, eu pedi a ela para não comer na mesma loiça que os outros; era contagioso. Mas ela disse que todos tinham de comer no mesmo prato em que eu comia. É uma grande mãe”.


Caló Pascoal responde


Que tipo de relação mantém com o público angolano?

Muito boa. Recentemente parei no semáforo e um menino deu-me um pacote de pastilhas das que estava a vender e disse “Cota, isso é para continuares a cantar bem”. Esse gesto vale muito porque o miúdo não tem grandes lucros a vender pastilhas, mas tirou do pouco que tinha para me dar.

Excluindo os músicos da nova geração, com quem gostaria de dividir o palco?

Já dividi o palco com Bonga e Paulo Flores. Quero cantar com Teta Landu, Dabs e Eduardo Paím. Gosto muito dele; quando eu o visse na TV a tocar, dizia para mim mesmo que um dia tocaria como ele. Hoje toco vários instrumentos.

Quem é o seu agente?

É o Afonso Quintas, meu grande amigo, e tenho o Salú Gonçalves como um segundo pai. O Salú já levou os filhos dele para me visitarem naquele quarto que inundava com água da chuva, não teve vergonha. Por isso me sinto filho dele

 
 
   
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