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As revelações de Segunda e a certeza de Lindo PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Escrito por Kamba de Almeida   
Quarta, 11 Julho 2012 10:17

As revelações de Segunda e a certeza de Lindo

Em contagem decrescente Depois de alguns dias de suspensão, as audiências ao redor do caso Quim Ribeiro retomam na próxima segunda-feira, 2, com a audiência da “dona” do dinheiro, Teresa Pintinho. O que virá dali?alt

 

Nesta semana, entre segunda, 25, e quinta-feira, 28, não houve sessão de julgamento do caso Quim Ribeiro. Tal deveu-se ao facto de a sala de audiências ter ficado, temporariamente, desprovida de condições de habitabilidade na sequência de uma intervenção que mereceu, nomeadamente de pintura nas paredes e com tinta a óleo, no passado fim de semana.

 

Assim, para um recinto onde um número significativo de pessoas se mantém por horas a fio, seria pouco confortável o cheiro a tinta fresca que se fazia sentir. Foi, pois, esta razão pela qual o representante do Ministério Público, Adão Adriano, em comum acordo com o advogado dos réus, Sérgio Raimundo, recorreu ao juiz Cristo Alberto no sentido de suspender as sessões enquanto o quadro se mantivesse como o descrito.

 

A suspensão que deveria, apenas, durar por alguns dias, acabou por estender-se para toda a semana, portanto, até quinta-feira, 28, visto que à sexta-feira não há sessões de julgamento deste caso. Assim decidiu o juiz uma vez que, entre quarta e quinta-feira, a Base Naval de Luanda previa a realização de uma actividade que requeria, também, o uso da mesma sala onde decorrem as audiências.

 

Assim, as sessões retomam na próxima segunda-feira, 02 de Julho, com a audição dos declarantes que seriam ouvidos no passado dia 25 de Junho. Entre estes consta o nome de Teresa Pintinho, a esposa do funcionário bancário, ela que se assume como a dona dos três milhões e 700 mil dólares, tidos como a origem do caso em julgamento, e sobre quem gerou-se uma polémica no tribunal em relação à sua sanidade mental e a uma entrevista que concedeu para este semanário.

 

No dia em que se determinou a suspensão temporária das audiências, lá esteve a cidadã, mostrando-se pronta para prestar as declarações, sempre acompanhada do seu filho, Gomes Pintinho, que também deveria ser ouvido, e do advogado de ambos.

 

Um encontro “secreto”

 

Na semana anterior, porém, ouviram-se mais três declarantes, na quinta-feira, 21, além daqueles cujas palavras foram reportadas por este jornal. Entre estes figurava o subinspector da Polícia Nacional, Bernardo António Segunda, em resposta às palavras de um outro declarante, conhecido como Joaquim, que dissera ao tribunal que, mesmo depois de suspenso por despacho presidencial, o comissário Joaquim Ribeiro reuniu-se com alguns dos réus numa unidade policial no bairro Benfica.

 

Segunda rejeitou que o encontro tivesse decorrido numa unidade policial. Tanto quanto sei, disse ele, é que levou o seu anterior chefe, identificado como Fernando Vicente, mais conhecido como FBI, para um encontro na residência de um dos filhos do antigo comandante provincial. Sobre quem participou na reunião, disse pouco saber. Afinal, ficou na parte de fora em amena cavaqueira com os guardas do antigo comandante provincial.

 

Já ouvido pelo tribunal, noutras vezes, o próprio FBI, que na altura comandava uma das esquadras mais importantes da divisão policial da Samba, explicou ter se tratado apenas de uma visita de rotina à Quim Ribeiro que, na altura, residia em casa de um filho seu, identificado como China.

 

Outra figura ouvida no mesmo dia foi Sebastião João Jorge, intendente da Polícia Nacional, que era amigo e compadre do malogrado Joãozinho.

 

Segundo contou, no dia em que o seu compadre foimorto, a esposa dele disse queviu sair da sua casa um indivíduo conhecido como Teixeira. Este, segundo a esposa da vítima, passou pela sua casa para convencer a Joãozinho a seguir, com ele, para mostrar-lhe um terreno que, alegadamente, Teixeira pretendia comprar.

 

Mas Joãozinho, segundo o compadre, recusou a boleia de Teixeira, optando pelo seu amigo Mizalaque. Foi então que, segundo o declarante, ouviu de populares que uma viatura que seguia a das vítimas ultrapassou-a, barrou-lhe passagem e, acto contínuo, dela desceram dois elementos que abriram fogo indiscriminadamente contra os ocupantes da primeira viatura.

 

Teixeira, aqui citado pelo compadre de Joãozinho, era o director da cadeia de Viana. Ele também já foi ouvido em tribunal, onde explicou que, de facto, procurou a vítima em casa, mas fê-lo a pedido do réuGaspar que queria conhecer a residência do malogrado. É, pois, Teixeira quem, em pleno tribunal, afirmou estar em posse de uma gravação onde, alegadamente, este réu assume fazer parte do grupo dos homicidas de Joãozinho e Mizalaque.

 

O compadre da vítima disse, por outro lado, que presenciou o interrogatório à esposa de Joãozinho dirigido por investigador identificado por Nando que, também, já foi ouvido em tribunal. Segundo o declarante, chamou-lhe a atenção a forma rápida como os primeiros investigadores, que se apresentaram como enviados do comissário Joaquim Ribeiro, conseguiram localizar a residência do óbito para interrogarem a viúva.

 

Ninguém foi coagido, diz lindo nogueira

 

Na semana passada, o grande destaque recaiu mesmo sobre o tenente coronel da Polícia Militar, Lindo Cardoso Nogueira, um dos indivíduos que faz parte do corpo de investigadores que dirigiu as investigações de esclarecimento do caso. Em tribunal, disse reiterar a posição inicial, isto é, a de que todos os indícios das investigações mostram que os 21 arguidos são os principais suspeitos dos crimes que estão acusados.

 

Todavia, também foi claro ao esclarecer que declarante algum, ou mesmo arguido, tenha sido coagido a prestar qualquer declaração, apontando, como exemplo de falsas informações,citando o caso concreto do declarante José Maria, conhecido como Mau Mau, que acusou o Procurador Adão Adriano de tê-lo coagido.

 

Quando interrogado por Sérgio Raimundo sobre se tinha, ainda, a convicção de que a viatura usada pelos assassinos das duas vítimas foi uma carrinha branca, ele respondeu: “todas as evidências dizem que a viatura usada foi aquela”. Raimundo questionou-o ainda sobre como a fotografia da viatura em questão foi parar às suas mãos, e Lindo Nogueira respondeu: “já não me recordo, pois, a julgar pelo, tempo já não me consigo lembrar”.

 

Mariano Brás

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