| Corpo Clínico Assassino no Ngangula |
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| Notícias |
| Escrito por Kamba de Almeida |
| Terça, 11 Setembro 2012 00:05 |
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Corpo Clínico Assassino no Ngangula DEIXE SEU COMENTÁRIO POR FAVOR! A gemer de dores, Florinda Domingos contorcia-se no chão parque de estacionamento do Hospital Especializado Materno-Infantil Augusto N’gangula, em Luanda. Aos gritos, um general à paisana exigia do corpo médico atenção à parturiente, que havia sido retirada da sala de espera, pelos guardas, por ordens do pessoal clínico. Familiares seus e de alguns pacientes também se insurgiam, na noite de 9 de Setembro, contra os serviços hospitalares que ignoravam os pedidos de socorro.
Flora Rosita explicou ao Maka Angola que a sua cunhada “foi enxotada da sala de espera pelos guardas, porque as doutoras disseram que só tinha autorização para entrar na sala de espera à meia-noite”. Por sua vez, outra cunhada, Cândida Nimila, explicou que o corpo clínico havia determinado que Florinda Domingos seria assistida apenas à meia-noite, para dar início ao parto prematuro, ao sétimo mês de gravidez. Maka Angola espreitou a sala de espera e constatou que havia várias cadeiras desocupadas. Entre os presentes na sala, a maioria era constituída por acompanhantes de pacientes. Eram exactamente 22H25 quando Florinda Domingos, de 22 anos, deu à luz um menino, no chão do parque, entre duas ambulâncias estacionadas, que serviam de biombos, sem assistência médica e com o testemunho de guardas, familiares e do jornalista do Maka Angola presente no local. Duas enfermeiras, mal-educadas e propositadamente pouco expeditas, dirigiram-se por fim à parturiente. Na caminhada, tiveram tempo de expedir ordens aos guardas e ao agente da Polícia Nacional para expulsarem os que exigiam celeridade nos atendimento a Florinda Domingos e ao seu recém-nascido. Só passados muitos minutos as enfermeiras finalmente prestaram alguma atenção à parturiente, com o corte do cordão umbilical da criança. Uma enfermeira, pachorrenta, levou o recém nascido ao colo, coberto por um pano da mãe. A outra enfermeira segurou Florinda Domingos pela mão e pediu-lhe para caminhar até ao interior da unidade hospital, a vários metros de distância. Não havia uma maca ou uma cadeira de rodas para transportar a paciente. À família, coube a tarefa de limpar o local onde nasceu a criança. O bébé acabou por falecer na incubadora. “Eles [o corpo clínico] estavam a esconder a verdade. Hoje, no período da manhã, eu tive de insistir muito para que nos permitissem ver o bébé, porque era um direito da família. Só assim nos disseram que o bébé estava morto”, informou Cândida Nimila. Segundo o certidão de óbito passada pelo hospital, a criança faleceu de madrugada, por volta das 4H00 e os familiares apenas tiveram conhecimento perto das 10H00, apesar de terem pernoitado no local. Em conversa com os guardas no local e familiares de outros pacientes, Maka Angola soube que os esquemas de corrupção ditam quem deve ou não estar na sala de espera e as prioridades no atendimento pelo corpo clínico. A família de Florinda Domingos, da zona da Boavista e de condição humilde, chegou a pagar 2,000 kwanzas a uma das enfermeiras mas aparentemente este valor não foi suficiente para assegurar um lugar na sala de espera. “Sem vergonha sem nada, a enfermeira nem sequer devolveu os 2,000 kwanzas depois do que aconteceu”, lamentou Cândida Nimila. No entanto, a propaganda oficial, através da edição de 4 de Junho passado do Jornal de Angola, tem anunciado que “uma das principais causas da mortalidade no Hospital Augusto Ngangula é a chegada tardia das parturientes aos serviços”. A 10 de Agosto passado, o ministro da Saúde, José Van-Dúnem, reinaugurou o hospital Augusto Ngangula, após ter sofrido obras de melhoria. Na ocasião, o ministro disse: “Vamos continuar a trabalhar para que todos tenham acesso a condições dignas de saúde, pretendemos erradicar a mortalidade infantil no nosso país”. Florinda Domingos foi precisamente “enxotada” da nova ala do hospital onde, à porta, consta a placa de reinauguração descerrada por José Van-Dúnem. Os casos registados por Maka Angola, a que dará tratamento oportunamente, contrariam a falácia das autoridades. Sem nome, o recém-nascido foi enterrado ontem, no Cemitério do 14, em Luanda. Por favor amigo/a seja fã da rádio e convida os seus amigos a serem fãs queremos atingir 25000 fãs com a sua ajuda muito obrigado. http://www.facebook.com/radioculturaangolana DEIXE O SEU COMENTÁRIO E PARTILHE NO FACEBOOK!
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