Jun 19
Riquinho, Tchizé e Ana Paula dos Santos, qual a diferença? PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Escrito por Kamba de Almeida   
Sexta, 14 Setembro 2012 08:36

Riquinho, Tchizé e Ana Paula dos Santos, qual a diferença?

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Ao longo dos anos o Estado angolano encarouacorrupção como um fenômeno abstratoe fez dela um sofisma, principalmente quando se tratade proteger o príncipe, o monarcae a família real. Em volta dessesseconstruiu uma blindagem, uma guarnição em que a defesaé feita com todo os tiposde elogios para esta turma de privilegiados.alt

Nesta defesa passa-se a ideia ao cidadão de que toda honestidadevindados elementosdessa casta de iluminados é incontestávele indiscutível. Qualquer contestação que possa pôr em dúvidaas virtudes daquela raça chega a servista como um atentado à pátria, ao MPLA e ao Estado.

Combater a corrupção em Angola chega a ser impossíveleinviávelquando se trata de acusar o próprio Presidente da República de estar envolvido em corrupção. Provas contra este são mistificadaspela sua guarnição de bajuladorescomo calúniasde quem não quer ver Angolaem Paze sossegadacom o seu povo e seus líderes.

Tudo –assim é a mensagem emitida ao povo e a nação-deve servisto como procedimentose atos de pessoas induzidas pela má fé, ou por pessoas que se prestaram a destruir um processo político encabeçado por uma liderançainsubstituível. Em que as virtudes deste não poderão ser encontradas em nenhum dos cidadãosvivosque andam pelas ruas deste país (Angola).

É nessas circunstâncias, em que a guarniçãode tantos fatos anormais e a proteção de tudo o que há demais podre dentro de um sistema que sabe se proteger dos seus críticos, que nos encontramosdiante de um ambiente de saturação, em que determinadas coisaspela força dos fatos e as leis da própria natureza,determinados objetos e coisas deveram emergir.

O caso Riquinho é a prova dessa emersão. Um produto que despontou ou veio àtona, porque nada naquele ambiente, nenhuma força, o segurava ou o sustentava mais. A prova ainda está na declaração do próprio Presidente, o protegido de todos, ao bater com a línguanos dente, numa reunião ou assembleia partidária: “em que Riquinho é um dos empresários que mais dinheiro recebeu do Estado”.

Esse tipo de declaração –mais um objeto emerso, como a merda que se pode encontrar de forma repugnante e indesejávelflutuandosobre uma piscina- pode ser obtido como prova de ato de corrupção.Podeser a pista necessária, ou até desnecessária, para se chegar à conclusão de que o nosso monarcaePresidente da República não é inocente nos atos de corrupção promovidospor seus assessores.

Isso é quando o mesmo não chega a ser o promotor de tais atos. Essa pista pode nos levar a fazerasseguintesperguntasde direito e dever: em queconsistiramos contratos assinados por Riquinhos para receber tanto dinheiro do Estado? Quais serviços este prestou para a sociedade eo Estadopara que o mesmo fosse privilegiado? Até onde esses contratos são legais, e a rigor, passoupor todas as formalidades como exigem e mandamos bons princípios da Administração Pública?

A diferença – entre Tchizé, Ana Paula dos Santos e todo ninho presidencialabençoado pelas irregularidades viciosas em que nos habituou o Estado angolano-estáem que Riquinho é um verdadeiro herói como empresário em tempos de paz entre os corruptos ( rejeitado e, dependendo das circunstâncias, invejado por alguns deles); um herói debochado, fanfarão, bocudo, arrogante, escandaloso e estrondoso –efinalmente injustiçado. Enquantoaqueleninho trabalha na surdina e age de forma sorrateira –quanto menos visibilidade maior o êxito e menor as suspeitas de corrupção. Mesmo porque estes não precisam de tal visibilidade, a posição de serem filhos e membros de uma casta“vítimasde toda inveja” – segundo estes,“a inveja que vem do povo”,não a que agora vitima Riquinho-,é mais do que suficiente. Além de ajudar em todos os tráficos deinfluênciade que precisam.

Para esclarecer a teseque dá privilégios a unsepenaliza a outras,vamos recordaraqui fatos que aconteceram há quatro anos atrás, naeleição e posse surpreendente e assustadora de Tchizé ( assim como de sua madrasta). Toda boa militância do MPLA foi pego de surpresa quando essas duas criaturas,filha e esposa – de quem são-, ascenderam a cargo de parlamentares; quando se sabe que nas filas do partido no poder muitos bons militantes, dedicados em tempo e dimensão espaciala nível do território nacional, estão e estariam em melhores condições para ocupar aqueles dois cargos noparlamento.

A própria Tchizénuma entrevista reconheceuquesua nomeação ou proposta convocatóriafeita pelos militantesdo comitê onde a mesma frequentava ou exerce suas atividades partidárias –se exerce mesmo-foi um fenômenoque a pegou de surpresa. Resumindo, são milhares de angolanos que poderiammuito bem ocupar aqueles dois cargos, entre eles, sem exagerar,o próprio Riquinho. O que torna diferente esses milhares de angolanos com relação às duas mulheres privilegiadas?

A resposta é genérica: corrupção. E em termosespecíficos chama-se tráfico de influência, oportunismo e, finalmente,exposição de burricede quem acolhe as duas mulheres. Este último trecho do parágrafo recebeu a devida influência, de uma entrevista publicada no Angola24horas,vinda da filhado homem mais poderoso do país. Dizem que aquela ( a tambémmulher mais poderosa do país morre de elogios ao pai). Só como observação nossa:tomar decisões com ajuda de todos – ou de equipes-, diante de tanto poder canalizado a uma só pessoa, não é sinônimo de inteligência. Quem corrobora isso, são os discursos cafonas e articulados com palavras cínicas e repetitivas. Quem corrobora isso, são os trinta anos de governação.

Continuando. A diferençaestáem que Riquinho é o retrato do Angolano que nesses trinta e sete anos de independênciaveio do nadae sem referências; é o mwangolé puroe arrojado que usa e usou todos os artifíciospara chegar onde chegou. Riquinho somos todos nós – que me perdoem, pela infeliz comparação-em menor ou maior grau, uns desencantados, outros mais otimistas e outros até vitoriosos. Nesse espectro está o cidadão José Eduardo dos Santos, menos boçal, mas o seu cinismo é parte de um instrumento estratégico,ou não, que faz do angolano um espertalhão, um aproveitador de oportunidades e de circunstâncias: um líder que aí vemos! E que se tornou covarde, impotente e cumplice diante da corrupção. Acreditem se quiser!

A diferença é que Riquinho precisou e precisamostrar que é flexível, se movimentar entre os poderes. Enquantoaquele ninho de oportunistas já está estabelecido e é venerado mesmo quando não quere nem espera. Esse é o caso da nossa Princesa Tchizé que conseguiu chegar a Deputada mesmo sem querer eesperar ser. Porque para esta o que não faltou éapoio,acolhimento e bajulação: oproduto da dominação que os corruptos do MPLA e do Governo usam para manter o povo em sua volta.

Devo terminar este artigo: Mas antes quero aqui usar o mesmo paraparabenizar a vitória doscorruptos. Não a vitória do MPLA nem a vitória do povo Angolano! Por que estes com certeza saíram derrotados; mais até do que os Kwachas, bandidos, oportunistas, terrorista e para semprea corja de verdugos que fez sofrer a nação Angolana durante vinte anos. Devo parabenizar, também, o camarada Presidente José Eduardodos Santos ( esse mesmo, o mais calmo eespertinho de todos nós) ; o meu Grande Amigo ( sem ironias) e contra-atacante no Club-k, Dino Cassulo. A estepeço imensas desculpas pelo atraso. Foi uma falha minha, é que até agora estou tentando me recuperar da vitória anunciada, inevitável, propagandeada como ato de merecimento, que dizem ser do MPLA.

O MPLA e os Angolanos (o povo angolano), se depender de mim, não estão de parabéns. Da mesma formaque não se pode e nem se deve parabenizar um amigo por ser atropelado ou uma viúva por perdero marido, não temos porque parabenizar aqui o MPLA ou os Angolanos.

Para nós, desta vez,não há nada a comemorar!

Nelo de Carvalho

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