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Afonso Quintas Contra Rap e Hip-Hop PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Escrito por Kamba de Almeida   
Terça, 24 Abril 2012 13:13

Afonso Quintas Contra Rap e Hip-Hop

Luanda - Uma das vozes mais badaladas da Rádio Luanda é o radialista e promotor cultural Afonso Quintas. Essa figura, bastante popular entre os músicos, sobretudo os da nova vaga, revela-se agora, no entanto, um dos mais empedernidos delatores do movimento musical de protesto angolano que se instalou no rap e no hip-hop.


* Carlos Duarte
Fonte: Makaangola.org


Segundo soube o Maka Angola de boa fonte, recentemente o radialista-promotor telefonou para o conhecido rapper Dr. Romeu, a quem fez saber que está a ser vigiado por causa do chamado “circuito fechado”, um sistema de distribuição paralelo e secreto de disco produzidos por músicos que cantam esse estilo. Esse sistema surgiu em decorrência dos vários “incidentes” registados com a venda e distribuição de CDs de rap e hip-hop, sendo o caso mais emblemático o do Brigadeiro 10 Pacotes, que viu todos seus discos “roubados” por “desconhecidos”, quando eram transportados para Viana a fim de serem presentes ao público.


O movimento rap e hip-hop tem criado sérios embaraços ao regime do Presidente José Eduardo dos Santos e foram precisamente artistas ligados a essa corrente musical que organizaram uma das mais simbólicas manifestações contra o que consideram de 32 anos de governação ruinosa de Dos Santos, a 7 de Março do ano passo, e que resultou na breve detenção de 15 indivíduos, incluindo jornalistas que cobriam o protesto. Uma das figuras mais destacadas desse movimento é Luaty Beirão, conhecido nas lides musicais como Ikonoklasta ou Brigadeiro Mata Frakus.


As medidas de controlo do movimento rap e hip-hop têm sido intensificadas pelos serviços de segurança, com a aproximação das eleições legislativas, em que o Presidente Dos Santos deverá ser eleito à boleia, sem o voto directo quer dos eleitores ou dos parlamentares, como acontece nos sistemas de governo presidenciais, semi-presidenciais ou parlamentares. O sistema angolano, segundo os juristas do regime, é atípico. Poroutras palavras, serve os desígnios pessoais e autoritários daquele que é hoje um dos mais antigos presidentes no mundo.


Recentemente, num espectáculo realizado no Elianga Teatro, na baixa de Luanda, a polícia interviu de forma a garantir que não haveria música de contestação ao regime. O principal artista da noite era Dr. Romeu que, como acontece em vários espectáculos, tinha vários convidados que iriam igualmente subir ao palco. Mas antes do início do espectáculo, os agentes da segurança exigiram a lista dos convidados. Acto contínuo, riscaram três nomes, designadamente os de Cool Clever, X da Questão e MCK, acérrimos críticos da opaca governação do MPLA. Depois da purga, ficou também o aviso a Dr. Romeu para que não interpretasse músicas com conteúdo crítico para a governação do MPLA e do seu presidente, José Eduardo dos Santos.

 

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