May 17
Monumento aos mártires da repressão PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Escrito por Kamba de Almeida   
Quinta, 05 Janeiro 2012 09:22

Monumento aos mártires da repressão
 

A localidade do Quéssua, em Malange, acolhe esta quarta-feira o acto de apresentação do projecto de construção do memorial para os mártires da repressão colonial, a ser erguido na localidade de Teka dya Kinda, na região da Baixa de Cassanje, onde ocorreram os massacres de 1961.

De acordo com o governador de Malange, Boaventura Cardoso, a edificação do referido memorial está inscrito no Programa de Investimentos Públicos para o presente exercício económico.

Em visita ontem às obras do bairro social da Juventude, Boaventura Cardoso destacou a importância histórica do 4 de Janeiro, data consagrada aos mártires da repressão colonial.

Na ocasião, o governador apelou à juventude a participar no evento, por se tratar de uma “data de elevado significado histórico e que deve ser recordada e lembrada por todos os angolanos”.

Em 1961, o bispo da Igreja Metodista Unida da Conferência Anual do Leste de Angola, José Quipungo, tinha 11 anos de idade e testemunhou os acontecimentos registados na Baixa de Cassange. “Eu vi com os meus olhos e aos 11 anos de idade pessoa nenhuma esquece o que aconteceu e este acontecimento foi tão trágico que marcou muito profundamente toda a minha geração”, disse o bispo José Quipungo.

Segundo o bispo da Igreja Metodista, os acontecimentos de 4 de Janeiro de 1961 são lembrados com profunda tristeza. “A pior coisa que pode acontecer a um povo é as crianças assistirem a coisas terríveis como aquelas que aconteceram. Eu vi na companhia do meu pai e com muitos outros amigos mais velhos sentados na Cotonang, em Xá-Muteba, e isto ocorreu naquela manhã de 4 de Janeiro em toda a Baixa de Cassange”, salientou.

Quanto à designação do 4 de Janeiro como data de celebração nacional, o bispo José Quipungo mostrou reservas, mas assegurou que “aquilo que a Nação acha importante deve estar em primeiro lugar”.

Por seu turno, o presidente da Associação da Baixa de Cassange, Joveta Nzage Longo, disse estarem em curso negociações que visam repor a data como feriado nacional.

JQuipungo disse que os acontecimentos de 4 de Janeiro de 1961 intensificaram o sentimento de revolta dos angolanos e relançaram a luta contra o colonialismo português, dando lugar à Independência Nacional, proclamada a 11 de Novembro de 1975.
 

 

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