May 26
Crescimento económico de Angola deve dar lugar ao desenvolvimento PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Notícias
Domingo, 02 Maio 2010 15:00

O ministro de Estado e da Coordenação Económica, Manuel Júnior, defendeu na sexta-feira, em Luanda, a necessidade de se transformar o crescimento económico em desenvolvimento social, já que o crescimento por si só é insuficiente para o bem-estar dos cidadãos.


“O crescimento económico é uma condição necessária, mas é preciso transformá-lo em desenvolvimento económico e também em desenvolvimento sustentável”, disse o ministro, na conferência “Micro-Crédito”, organizada pela IT Center, com objectivo de absorver experiências do fundador do Grameen Bank, Muhammad Yunus, o “Banqueiro dos Pobres”.


O ministro de Estado e da Coordenação Económica considerou que, apesar do assinalável crescimento que Angola regista, sobretudo depois da guerra, tem ainda um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) baixo, com uma considerável parte da população a viver na pobreza e muitos a pobreza extrema. “Existem ainda gritantes desequilíbrios sociais e regionais que importa ultrapassar. Neste contexto, o micro--crédito tem um papel a desempenhar”, sublinhou, destacando o seu papel enquanto ferramenta importante na redução da pobreza. 

 

Manuel Júnior considerou que uma das principais características do subdesenvolvimento é a fraca capacidade de criação de poupança e de acumulação de capital, um factor a que qualificou de ‘círculo vicioso da pobreza’. “Os países são pobres porque produzem pouco e produzem pouco porque são pobres”, declarou Manuel Nunes, caracterizando o “círculo vicioso da pobreza”.


Assim, frisou, o micro-crédito constitui uma via para a mobilização de poupança interna para o investimento produtivo e promove o empreendedorismo e a auto-iniciativa. Outro passo importante do micro-crédito, acrescentou, é o contributo que dá  à formalização do mercado e ao processo de bancarização.


Apesar de o micro-crédito estar a dar os primeiros e não estar ainda regulamentado em Angola, Manuel Júnior louvou o esforço da banca que aos poucos desenvolve programas de micro-crédito, com realce para os bancos BPC e SOL. Com resultados positivos neste sentido, está o BAI Microfinanças, que tem uma carteira de 30 mil clientes e nove agências em três províncias.

Regresso às taxas de crescimento

Numa altura em que os sinais de retoma económica no mundo se vão evidenciando, o ministro acredita num regresso aos anteriores níveis de desempenho positivo da economia angolana. “Vamos voltar a atingir as elevadas taxas de crescimento dos anos anteriores”, referiu, com optimismo.


Segundo o ministro, nas finanças públicas e na balança de pagamentos os resultados são positivos, o que assegura a normalização dos compromissos financeiros com o exterior, garantindo a estabilidade macroeconómica.


O ano de 2009, altura em que as receitas fiscais ficaram reduzidas em quase 40 por cento das verificadas em 2008 e se registou uma redução das receitas petrolíferas, o Governo tomou algumas medidas restritivas, referiu. Estas medidas fizeram com que se terminasse o ano com o crescimento económico de 2,7 por cento, quando o mundo na sua globalidade navegava num crescimento negativo de -0,8 por cento. A taxa de crescimento de 2,7 situa-se próximo da taxa de crescimento médio da população angolana estimada em 3 por cento, explicou, afirmando que esta resultou do bom desempenho do sector não petrolífero, que cresceu cerca de 8,9 por cento face ao decréscimo de 5,4 por cento do sector petrolífero. 


O crescimento do sector não petrolífero, recordou, deveu-se à agricultura, que cresceu 29 por cento, seguido da construção civil, com 23,8 por cento, e do sector da energia, com 18,3 por cento. Neste período, a média de crescimento das economias africanas não ultrapassou a cifra de 1,9 por cento, as economias avançadas tiveram um decréscimo do Produto Interno Bruto de -3,2 por cento e as economias emergentes não ultrapassaram os 2.1 por cento.

 

Fonte: Jornal de Angola

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Actualizado em Domingo, 02 Maio 2010 15:06