May 18
Irão confirma abertura de central de enriquecimento de urânio para breve PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Escrito por Kamba de Almeida   
Domingo, 08 Janeiro 2012 11:46

Apesar das ameaças de embargos e sanções internacionais, o Irão confirmou hoje que abrirá em breve uma central de enriquecimento de urânio. No entanto, Teerão assegura que as instalações vão produzir apenas energia para uso civil – e não para armamento nuclear, como teme a comunidade internacional.

A informação é já oficial e foi avançada este domingo pelo responsável da Organização de Energia Atómica iraniana, Fereydoun Abbasi Davani, ao jornal do país Kayhan, coincidindo com uma viagem oficial de cinco dias do Presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, à América Latina, onde passará por países como Venezuela, Nicarágua, Cuba e Equador, com o objectivo de “reforçar os laços” do Irão com estes países.

“As nossas relações com os países da América Latina são muito boas e estão a desenvolver-se. A cultura destas populações e desta região e os seus pedidos históricos assemelham-se ao do povo iraniano. São povos com um pensamento anticolonialista”, disse Ahmadinejad, citado pela AFP. A viagem já foi, porém, criticada por Washington, que apelou aos países por onde vai passar o líder iraniano que não reforcem ligações com aquele país num momento de grande pressão em relação ao armamento nuclear.

Já há vários meses que o Irão tem vindo a informar que estava a preparar uma central de enriquecimento de urânio em Fordow, uma zona de montanhas, perto da cidade de Qom, no centro do país.

Trocas de ameaças

Um plano que tanto os Estados Unidos como os seus aliados acreditam ser uma forma de camuflar o fabrico de armas nucleares, apesar de Teerão rejeitar as acusações e reiterar que se trata apenas de produção para consumo energético. A inauguração da central vai, assim, aumentar o já tenso clima que se vive no Médio Oriente.

Mas a situação não parece preocupar o regime iraniano, que esta semana já veio dizer que não está preocupado com os efeitos das sanções internacionais, incluindo um possível embargo petrolífero, alegando que o país tem meios para resistir à “guerra económica” que lhe está a ser movida por europeus e americanos.

“O Irão está pronto para contrariar este tipo de acções hostis e não está nada preocupado com as sanções”, disse o chefe da diplomacia iraniana, ao receber o seu homólogo turco, Ahmet Davutoglu. Ali Akbar Salehi lembrou que o país “sobreviveu à tempestade [de sanções] durante 32 anos”, tantos quantos tem a República Islâmica, “e agora também vai sobreviver”.

A reacção surgiu depois de ser noticiado que os países da União Europeia chegaram a um acordo de princípio para aprovar, no final do mês, um embargo petrolífero ao país. Dias antes, o Presidente norte-americano, Barack Obama, assinou uma lei que permite sancionar empresas que mantenham negócios com o banco central iraniano, o que a concretizar-se penalizará as refinarias que comprem crude a Teerão.

O Irão avisara que iria reagir a tais medidas fechando o estreito de Ormuz, por onde passa 35 por cento do tráfego marítimo mundial de crude, e realizou manobras militares na zona. Nesta quinta-feira, porém, optou por um discurso mais prudente: o ministro da Economia, Shamseddine Hosseini, disse que “os agentes económicos serão soldados a enfrentar os inimigos” e um dirigente da companhia petrolífera limitou-se a avisar que “a economia mundial não suporta petróleo caro”.

Na zona encontra-se um porta-aviões dos Estados Unidos que tem estado a acompanhar a situação e que promete permanecer no Golfo Pérsico apesar das ameaças e críticas do Irão, que os norte-americanos lêem como “posição de fraqueza”. O aumento da tensão ocorre quase dois meses depois de, em Novembro, a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) ter revelado “fortes indícios” de que Teerão realizou testes e pesquisas que podem conduzir ao fabrico de bombas atómicas. 

 

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