| Declaração de impostos de Mitt Romney ofusca novos ataques a Gingrich |
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| Escrito por Kamba de Almeida |
| Quarta, 25 Janeiro 2012 10:22 |
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Declaração de impostos de Mitt Romney ofusca novos ataques a Gingrich
Na declaração mais aguardada da campanha republicana até ao momento, o ex-governador do Massachusetts, Mitt Romney, divulgou a sua última declaração de impostos, apresentando rendimentos anuais superiores a 20 milhões de dólares durante os anos fiscais de 2010 e 2011 (estimativa), provenientes de dividendos e juros de aplicações financeiras – e zero dólares de vencimentos. Por não se tratar de rendimento proveniente de trabalho – e também por causa da veia benemérita de Romney, que distribuiu quase três milhões de dólares em donativos –, o candidato usufruiu de uma taxa fiscal de 13,9%, substancialmente inferior à da maioria dos americanos que vivem do seu salário. A carga fiscal de Romney também fica bem abaixo da dos seus principais rivais: do lado republicano, Newt Gingrich, que foi taxado a 31%; e do lado democrata, o Presidente candidato à reeleição, que pagou 25% em 2010. Este ano, segundo a projecção oferecida pela campanha, o valor do imposto a pagar por Romney deverá aumentar para 15,4%. Nos dois anos, o candidato republicano deverá pagar qualquer coisa como 6,2 milhões de dólares ao fisco. Apesar de ter mais de 500 páginas, a declaração de IRS de Romney oferece apenas um retrato parcial da sua fortuna (estimada entre 190 milhões e 250 milhões de dólares), uma vez que grande parte do seu espólio está blindado em fundos depositados em "off-shores" e paraísos fiscais. O candidato encerrou uma conta num banco suíço e desfez-se de participações em empresas com ligações ao Irão ou à China depois dos seus consultores financeiros concluírem que poderiam constituir um “conflito de interesses” com as suas aspirações políticas. Os documentos libertados mostram que Romney continua ligado à sociedade de investimento Bain Capital, que ajudou a fundar em 1984. O ex-governador retirou-se da gestão em 1999, mas segundo um acordo assinado na altura, continua a beneficiar dos lucros dos novos investimentos levados a cabo pela empresa – 7,5 milhões de dólares em 2010 e 5,5 milhões de dólares (estimativa) este ano. Quanto às contribuições para caridade, que são deduzíveis e contribuem para o abatimento da taxa fiscal, Romney destinou uma parte considerável à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (cerca de quatro milhões de dólares nos últimos dois anos). A divulgação da riqueza de Mitt Romney – a sua declaração de IRS confirma que é um dos indivíduos mais ricos dos Estados Unidos – relegou para segundo plano a sua prestação no primeiro debate televisivo na Florida, promovido na véspera pela NBC. O veterano analista de media Howard Kurtz, assinalava ontem no site Daily Beast, como a ascensão de Gingrich revelara uma nova “urgência” na campanha de Mitt Romney – “tão ansioso por atacar o seu rival que mais parecia que estava a fazer uma apresentação de PowerPoint a alta velocidade”, escreveu. A prestação de Romney deixou clara a nova estratégia da sua campanha: lançar dúvidas sobre o carácter e a personalidade de Gingrich, que foi alvo de uma investigação por questões éticas no Congresso, que se reinventou como lobbyista em Washington, que aceitou fazer campanha com a antiga Speaker democrata Nancy Pelosi a favor do combate às alterações climáticas... Foi uma completa inversão de papéis, com Romney ao ataque e Gingrich na posição do estadista – “Não vou passar a noite a defender-me da desinformação do meu adversário”, avisou o ex-Speaker. Mas os ataques de Romney retiraram algum fulgor ao seu rival. E vai haver muito mais nos próximos sete dias, até os republicanos da Florida irem às urnas. A campanha de Romney tem 10 milhões de dólares para gastar em anúncios televisivos, quase todos destinados a denegrir o carácter de Gingrich.
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