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Escrito por Kamba de Almeida   
Sexta, 27 Janeiro 2012 06:08

China reforça controlo militar na região de Sichuan depois de manifestações tibetanas

Estradas bloqueadas, telefones cortados, internet suspensa. A província de Sichuan, com uma forte presença tibetana, foi no início da semana o palco da maior contestação desde 2008. As autoridades chinesas pretendem colocar a região sob controlo, com um forte aparato militar.

Durante dois dias, protestos contra a repressão das autoridades chinesas acabaram com soldados a disparar contra os manifestantes: dois mortos, segundo Pequim, o dobro ou o triplo, de acordo com diferentes grupos tibetanos.

Na terça-feira, pelo menos um tibetano foi morto em Seda (próximo da fronteira com o Tibete), quando a polícia abriu fogo contra a multidão – informação que foi no dia seguinte confirmada pela agência noticiosa Xinhua. A praça ficou “coberta de sangue”, segundo a organização com sede em Washington International Campaign for Tibet. Outro grupo, o Free Tibet, disse que dois tibetanos morreram e muitos ficaram feridos. Segundo as autoridades citadas pela Xinhua, os manifestantes atacaram a esquadra da polícia com pedras, facas e garrafas de gasolina, ferindo 14 agentes.

Na véspera, num protesto em Luhuo (também conhecida como Draggo pelos tibetanos) , duas pessoas foram mortas e 36 foram feridas com balas, adiantou o Free Tibet. As autoridades confirmaram ter havido um morto, e acusaram os manifestantes de terem atacado lojas locais e um banco, e de terem provocado estragos a veículos da polícia; não deram informações sobre a forma como a vítima morreu.

A resposta das forças de segurança foi considerada um acto “grotesco” pelo primeiro-ministro do governo no exílio em Dharamsala (Índia). Lobsang Sangay aponta para seis mortos e mais de 60 feridos. “Por causa de actos grotescos como estes e da repressão sistemática de tibetanos, o ressentimento e a raiva entre os tibetanos contra o Governo chinês não tem parado de aumentar desde o levantamento de 2008”, afirmou num comunicado, citado pela Reuters.

Há quatro anos, a capital do Tibete, Lhasa, começou por ser o palco de motins e manifestações que opunham tibetanos a chineses han, e que depois se alastraram às províncias fronteiriças de Sichuan, Qinghai e Gansu.

Segundo Robert Barnett, especialista em questões tibetanas da Universidade de Columbia (Nova Iorque), esta última vaga de violência é um prolongamento desses episódios, que acabaram na morte de 21 pessoas, segundo Pequim, ou 200, de acordo com exilados tibetanos, afirmou à AFP.

Tanto Seda como Luhuo ficam na prefeitura de Ganzi, que se tornou num epicentro da contestação e do activismo político, sobretudo de monges budistas, frequentemente através de imolações pelo fogo: 16 em menos de um ano, quase todas ocorridas nesta zona.

Esta quinta-feira, vários jornalistas testemunharam ali um forte aparato policial e militar, incluindo “checkpoints” na estrada.

A agência francesa refere ainda que a vasta prefeitura de Ganzi parecia funcionar em câmara lenta: as ligações telefónicas estão muito perturbadas, a internet não funciona e as delocações eram restringidas por membros das forças de segurança mobilizadas em grande massa.

“Tem havido distúrbios aqui, por isso o Governo está tenso”, comentou à Reuters um homem que se identificou apenas como Zhang. “O principal problema é que os seguidores do Dalai [Lama] têm feito protestos. Usaram o Festival da Primavera [Ano Novo chinês] para os organizar, quando muitos polícias estão normalmente de folga”.

EUA pedem solução

Os incidentes ocorrem numa altura em que o vice-presidente chinês, Xi Jinping, que no final deste ano deverá ser nomeado para suceder ao Presidente Hu Jintao, prepara uma visita a Washington, em Fevereiro.

Uma responsável da Administração já veio dizer que a questão estará na agenda. A coordenadora norte-americana das questões tibetanas, Maria Otero, afirmou num comunicado que os EUA estão “profundamente preocupados” com as notícias da violência. “O Governo norte-americano pediu repetidamente ao Governo chinês que resolva as políticas contraproducentes nas áreas tibetanas que criaram tensões e ameaçaram a distinta identidade religiosa, cultural e linguística do povo tibetano”, afirmou Otero.

 

 

 

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