May 18
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Escrito por Kamba de Almeida   
Quinta, 12 Janeiro 2012 08:33

Antigo ministro da Educação de Angola lesado em um milhão de euros por Rui Verde

O antigo ministro da Educação angolano António Burity da Silva revelou terça-feira em tribunal que pessoalmente ficou lesado em perto de um milhão de euros pelo ex-vice reitor da Universidade Independente (UNI) Rui Verde, que lhe prometera aplicações de alta rentabilidade.

Arrolado como testemunha de acusação pelo Ministério Público, António Buruty da Silva deslocou-se propositadamente de Angola para depor no julgamento que tem como única arguida Isabel Magalhães, ex-mulher de Rui Verde, que, por ser juíza, está a ser julgada em separado num processo relacionado com o caso UNI, também em julgamento no Tribunal do Monsanto, em Lisboa.

António Buruty da Silva, 56 anos, mentor do projecto académico e universitário que levou à criação de um pólo da UNI em Luanda (denominado UNIA) e que actualmente já se alargou ao Lubango, disse que Rui Verde lesou também a DEA (Desenvolvimento Educacional de Angola) em cerca de um milhão de euros que tinham sido destinados à SIDES, sociedade detentora da UNI/Lisboa.

O antigo representante da UNESCO em Angola, diplomata e ex-ministro da Educação de Angola confirmou ainda que os 800 mil euros de dívida à construtora portuguesa Teixeira Duarte, que edificou a UNI/Luanda, não foram pagos pelas SIDES, nem por Rui Verde.

Quanto a Amadeu Lima de Carvalho, que é arguido juntamente com Rui Verde e com o antigo reitor da UNI Luiz Arouca no processo principal da Independente, precisou que lhe foram emprestados 470 mil euros para pagar a hipoteca de um imóvel, mas que o não retorno dessa verba implicou a perda de 10 por cento que Amadeu Lima de Carvalho tinha na DEA.

Relativamente ao facto de ele e outros responsáveis angolanos terem sido lesados no projecto universitário com Rui Verde e Amadeu Lima de Carvalho, a testemunha desabafou: "Somos muito ingénuos. Acreditámos muito nas pessoas e pensámos que os documentos tinham valor".

António Buruty da Silva mencionou que chegou a receber uma garantia bancária de dois milhões de euros de Rui Verde que, mais tarde, veio a saber junto do Millenium/BCP ser falsa.

"Hoje reconheço que fomos muito ingénuos. Pensávamos que estávamos a tratar com universitários e intelectuais e com pessoas de nível", relatou ao colectivo de juízes presidido por Ricardo Cardoso.

António Buruty da Silva explicou que ele e outras pessoas confiaram em Rui Verde porque se tratava de um professor universitário, que já tinha dado aulas em Londres e que, além disso, era casado com uma juíza - Isabel Magalhães, agora no banco dos réus.

Mostrou-se também surpreendido com o facto de o caso UNI ter chegado "até aqui" (fase de julgamento), porque, recordou, houve uma altura em que os tribunais portugueses rejeitavam todas as acções dos angolanos e davam provimento imediato às acções interpostas por Rui Verde.

Maria Isabel Pinto Magalhães, actualmente divorciada de Rui Verde, está acusada de um crime de branqueamento de capitais e dois crimes de falsificação de documentos, num caso relacionado com a dissipação do património que o casal adquiriu com dinheiro subtraído à UNI, entretanto extinta.

Acusada de branqueamento de capitais, a juíza já admitiu em julgamento ter colocado bens em nome de familiares e de na conta da irmã ter sido depositado dinheiro da venda de imóveis, incluindo da alienação de uma casa que o casal possuía em Espanha, mas negou que tivesse qualquer intenção de branquear capitais.

Rui Verde e mais de 20 arguidos, incluindo Amadeu Lima de Carvalho e Luís Arouca, respondem por crimes de associação criminosa, fraude fiscal, abuso de confiança, falsificação, corrupção e branqueamento, entre outros ilícitos.

 

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